quarta-feira, novembro 05, 2008

FELIZ DIA DO DESIGNER!!!

Como disseram nossos amigos do Caligraffiti, não temos sindicato, reconhecimento do da profissão, mas temos um dia de comemoração!!

dia 5 de novembro, Dia do Designer e Dia da Cultura. Porque? Vou deixar o Ivens Fontoura explicar nesse belo texto sobre Aloísio Magalhães.

(abre parênteses) Lembrando que a Rede Design Brasil e a Infolio dão um presente a um sortudo que fizer o cadastro no site da RDB. Confirma (fecha parênteses)

Não gosto de deixar de por a fonte, mas não encontrei onde foi publicado esse texto. O recebi de uma professora da UEL, Dorotéia Baduy Pires.

Dia do Designer
5 Novembro de 2008
por Ivens Fontoura


Nesta quinta-feira, os designers brasileiros comemorarão, mais uma vez, o Dia do Designer. Simultaneamente, o Dia da Cultura deverá ser comemorado por todos os brasileiros, lembrando que o
Dia da Cultura e o Dia do Designer têm a mesma origem: 5 de Novembro. Trata-se, portanto, da data de nascimento de Aloísio Magalhães, um brasileiro que dedicou sua vida à cultura; em particular, à música e ao teatro, à gravura e à pintura, à paisagem e à poesia, ao design e a cultura popular. O patrono da cultura e do design brasileiro é fruto de uma sofisticação intelectual mesclada à manifestação popular nordestina, expandindo-se por todo o País, tornando-se conhecido e respeitado internacionalmente. Ele defendeu a cultura nacional como poucos até sua própria morte. Sua última participação aconteceu em Veneza na reunião de ministros da cultura dos países de língua latina.

Na manhã do dia 11 de junho de 1982, disse:
"Então eu insisto muito e peço muito aos países latinos da Europa que vejam bem que o problema do mundo novo de origem latina é bem diverso do problema da manutenção simples da herança latina que vivem os países da Europa. E há nisso um perigo. Porque na medida em que a Europa Latina não entenda, não perceba, essa peculiaridade da nossa herança do outro lado do mundo, haverá sempre o risco terrível de uma suspeita de que a ênfase européia dos nossos irmãos latinos seja ainda uma ênfase colonialista, dado que procuram ver em nós o que elas já são. E nem sempre isso é verdade". À tarde, após assumir a presidência dos trabalhos, sofreu dois derrames cerebrais, vindo a falecer no dia 13 seguinte. Sua última fala é o testemunho pela luta constante em defesa da cultura brasileira.


No dia 16 de junho de 1985, três dias após a morte de Aloísio Magalhães, o Jornal do Brasil publicou um depoimento de Felix Athaide, capaz de traduzir o espírito do patrono da cultura e do design nacional.

"Conhecíamos todos os bares dos becos e bibocas do Recife. Aloísio tocava violão e cantava. E como tinha um velho carro, tinha também a obrigação de me deixar em Olinda ao amanhecer. Foi, talvez, quando ele descobriu que paisagem também é cultura, cultura profundamente. Anos depois, ele defendeu com sobejas razões e êxito, diante de europeus ortodoxamente europeizados e de brasileiros bestamente europeizados, para os quais só era patrimônio os grandes edifícios que europeus construíram na Europa e nas colônias que paisagem também é um bem cultural como a cerâmica popular, as rendas da mulher rendeira, a arte plumária dos índios, o vinho de caju, cuja única fábrica sobrevivente, na Paraíba, ele tombou e recuperou economicamente. Seus olhos pequeninos, achinesados, viam longe, com perspectiva histórica".

Aloísio Magalhães nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 5 de novembro de 1927. Como filho da elite pernambucana soube trafegar pelos caminhos impregnados com os traços mais originais da cultura nordestina. Cresceu entre intelectuais e políticos. Seu pai era o médico Aggeu Sérgio de Godoy Magalhães, professor e diretor de Faculdade de Medicina do Recife: dele, herdou a racionalidade intelectual. Sua mãe era dona Henriqueta, responsável por uma vida social intensa: com ela aprendeu o atendimento aos sentidos. Um de seus tios era Agamenon Magalhães, duas vezes ministros e governador do Estado de Pernambuco: dele, herdou a arte da conciliação e da moderação entre os opostos. Entre os primos, destacam-se dois: Geraldo Magalhães Melo, prefeito do Recife de 1967 a 71, cujo nome identifica o ginásio de esporte por ele construído, o Geraldão, e Roberto Magalhães Melo, professor de Direito, que também foi prefeito do recife, vice-governador e governador do Estado.

Estudou Direito. Fez parte do TEP - Teatro do Estudante de Pernambuco, quando desenhou cenários, bonecos e figurinos. Em Paris, freqüentou o Atelier 17 (1951-52), de Stanley William Hayter, responsável pela re-habilitação de técnicas da gravura. Paralelamente, freqüentou o curso de Museologia da Escola do Louvre.
De volta ao Recife, fundou O Gráfico Amador (54), junto com Gastão de Holanda, José Laurenio de Melo e Orlando da Costa Ferreira. Participou da 2a, 3a e 6a Bienal Internacional de São Paulo. Viajou aos Estados Unidos (56) e trabalhou na The Falcon Press com Eugene Feldman, Filadélfia (57). Lecionou na Philadelphia Museum School of Art (59-62). Integrou a delegação brasileira à Bienal de Veneza (60). No Rio de Janeiro, se uniu com Artur Lício Pontual e Luiz Fernando Noronha para formar o MNP Magalhães + Noronha + Pontual, embrião do famoso PVDI, um dos primeiros escritórios de design do país. Em 1962, lecionou com Alexandre Wolnner no Curso de Gráfica do MAM - Museu de Arte Moderna. A partir de 1963, lecionou na ESDI, primeira Escola de Design do Brasil.

Não obstante, seu grande trabalho se concentrou na defesa do patrimônio nacional.
Criou o CNRC - Centro Nacional de Referência Cultural (75-79), cuja história foi contada pelo próprio Aloísio em um texto publicado no livro E Triunfo? Foi diretor do IPhan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e criou a Fundação Nacional pró-Memória. Faleceu prematuramente, em Pádua, Itália, no dia 13 de junho de 1982, um pouco antes de completar 55 anos de idade.

Breve coletâneo do design de Aloísio Magalhães



Chico Homem de Melo trata o assunto de maneira brilhante no artigo "Aloisio, designer de sinais’, um dos capítulos do livro A herança do olhar: o design de Aloísio Magalhães, de Felipe Taborda e João de Souza Leite (2003). O espelhamento, o paradoxo, a rotação do círculo tripartido e a sugestão de tridimensionalidade auxiliam na compreensão da concepção de Aloísio. Para ele: "um exame das operações geométricas que marcaram o léxico de sua obra nos ajudará a compreender a expressão de sua influência na história do design brasileiro".

A coletânea:

1) Café Palheta (62), 4o Centenário do Rio de Janeiro (64), Bienal de São Paulo (65), Light (66), Campanha para a Copa do mundo (69), Souza Cruz (71).

2) Linha de embalagens para o laboratório Mauricio Villela (64-65). Aplicação de símbolo em veículo da frota da Rio Light. Aplicação de símbolo em navio da Companhia Vale do Rio Doce (67).

3) Identidade visual da Petrobras (70). Nota de Cr$1000 cruzeiros (77), desenvolvido por João de Souza Leite e Washington Dias Lessa. A concepção é baseada em seus famosos Cartemas, aproximando o conceito do papel-moeda à carta de baralho, com certeza, único no mundo.


Para descontrair, um videozinho feito pelos estudantes Alves (da UFSC) e Blah (da UDESC) em 2004, dica do Design.com.br




e o Armando Fontes, do DesignGráfico fez uma compilação super legal de definições de design só por fera! valeu pelo presente, Armando!

5 comentários:

Armando Fontes disse...

Enquanto nao descubro o dia do mestre cervejeiro, comemoremos o do design, que é um dia lindo, junto com o dia da cultura, do cinema nacional...

beijo meninas!

William disse...

Belíssimo texto! Parabéns para todos nós! =)
Abraço!
William - Design Atômico

Douglas disse...

Nossa! Esse vídeo no final foi bizarro!!! Sensacional! Acho que até agora é o melhor post da ABC. Parabéns!

Revista abcDesign disse...

esse texto foi publicado em 1/11/2004

Flavio disse...

Apenas como lembrança, a PVDI Design, fundada por Aloísio a 52 anos atrás, continua na ativa. Atualmente ainda conta com Rafael Rodrigues, antigo sócio do Aloísio e Nair de Paula Soares, também contemporânea, como consultores.

Vejam mais no site: www.pvdi.com.br